sábado, 24 de dezembro de 2011

Jean Charlles - Com você estarei





Com você estarei
(Jean Charlles)

Por todo o meu caminhar
Por você procurei
Te ouvi dizer naquele olhar:
Com você estarei

No luzir do sol pelas manhãs
Ou na sombra de suas noites vãs

Tudo que eu alcançar
Por você eu farei
Se a dor nascer e quiser chorar
Com você estarei

Na alegria de viver
Na tristeza que fizer sofrer

Na rotina dos seus dias
No mundo dos seus sonhos
Estou feliz, pois te reencontrei
Toda vez que for preciso
Por toda a sua vida
Por meu amor, com você estarei

Por todo o meu caminhar
Por você eu farei
Me ouvir dizer naquele olhar:
Com você estarei

No luzir do sol... de viver
Ou na sombra que fizer sofrer

Na rotina dos seus dias
No mundo dos seus sonhos
Estou feliz, pois te reencontrei
Toda vez que for preciso
Por toda a sua vida
Por meu amor, com você estarei
Meu amor, com você estarei

sábado, 22 de outubro de 2011

Melancolia

Você já parou pra pensar porque uma melancolia por vezes toma conta de seu coração e você procura e não acha motivo aparente?


Uma espécie de apatia abate e você busca a raiz do sofrimento e a resposta nem sempre é muito clara.



Você, eu, todos nós temos isso em alguns momentos. É o nosso espírito que inconscientemente busca a liberdade que nosso corpo denso por hora cerceia. Como são inúteis os esforços para voltar à natureza da vida espiritual, acabamos por nos entregar ao desencorajamento, então sofremos. Talvez fosse o que Raul Seixas quisesse dizer na música S.O.S:” Ôo seu moço do disco voador, me leve com você aonde você for. Ôo seu moço, mas não me deixa aqui, enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí...”



Há pessoas em que isso é ainda mais forte. Como se seu espírito não coubesse em seu corpo limitado e acontece uma busca constante por algo que não vai encontrar neste mundo. São pessoas inquietas que sempre estão buscando algo e que os que convivem com elas não entendem porque tanta energia, tantas realizações e tantos projetos que nunca são suficientes. Por mais que elas tenham tudo de bom na vida como carreira, dinheiro, pessoas que a amam, saúde, beleza, inteligência, estão sempre acompanhadas por uma espécie de insatisfação, que, ao olho alheio, é absurdo que essas pessoas não sejam felizes e serenas o tempo todo.



Willian Shakespeare já havia dito: “Existem mais coisas entre o Céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia.” Uma dessas coisas é a mente humana, mais complexa do que qualquer engenhoca inventada no planeta. É nela que se instalam todas as experiências, traumas, percepções extra-sensoriais, neuroses. E quem pode julgar outra mente que não a sua própria?



Todos nós temos uma missão no mundo que não suspeitamos. Seja um grande projeto humanitário, seja cuidar da nossa família; e é nisso que temos que nos concentrar enquanto estamos passando essa temporada carnal, que é de curta duração. Precisamos nos manter firmes, corajosos e fortes, porque se vivermos bem, ao momento que o anjo da libertação nos desligar dos laços que nos une a este orbe, nos encontraremos de novo com grandes amigos onde estaremos livres dos desgostos da Terra.





Jean Charlles

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Religião e Espiritualidade




Há uma diferença abismal entre Religião e Espiritualidade. Eu ia escrever meus pensamentos sobre isso, mas encontrei o texto de Flávio Girol, que escreveu por mim.


"A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer, querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade o convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: “aprenda com o erro”.
A religião reprime tudo, faz-lhe falso.
A espiritualidade transcende tudo, faz-lhe verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto, é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade, você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em nosso interior durante a vida."



Não tenho religião. Não sou religioso, senão no seu sentido filosófico. Sou um ser que busca sempre a espiritualidade no seu aspecto mais profundo...



Jean Charlles

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Iluminação, sabedoria e conhecimento

A gente vê por aí histórias de iluminação repentina.

Pessoas que se convertem a uma ideia superior, se sentem felizes e saem por aí arrotando evolução. Mas, infelizmente as coisas não acontecem dessa forma.

Despertar das ilusões e descobrir um novo caminho de felicidade não acontece como o sol que sai pela manhã em céu limpo, arrastando a escuridão e cegando nossos olhos com tanta luz e mantêm-se assim pelo dia todo. Funciona como um sol que sai radiante num céu com nuvens; onde ele brilha forte, mas às vezes uma nuvenzinha vem e apaga um pouco e daqui a um tempo aparece tinindo de novo e vai passando por nuvens que não o obstrui totalmente, mas o ofusca por vários momentos durante o dia.

O verdadeiro e sincero caminho da iluminação acontece assim, de forma gradativa. Digamos que damos dois passos para frente, um para trás; e com o tempo a luz vai cada vez mais inundando nosso coração e nossa mente.

Há um abismo entre o conhecimento e a sabedoria. O conhecimento é a teoria, a sabedoria é a prática. Conhecimento é “saber” fazer uma comida, sabedoria é fazer a comida.

Aquele que procura a luz está sempre se deparando com ensinamentos. Leituras, filmes, conversas e experiências nos trazem o conhecimento e o caminho da iluminação. Mas a sabedoria é algo individual e intransferível, é a maneira que vamos transformar tudo aquilo que aprendemos em prática em nossas vidas. Muitas vezes é bem difícil, pois se chocam com nossas más e enraizadas tendências e vícios.

Como diz uma canção de Beto Guedes, “A lição sabemos de cor, só nos resta aprender...”

Eu sempre busquei e busco uma maneira de viver melhor a cada dia. Apesar de tudo, me sinto cada vez mais feliz com o passar dos anos.

Que Deus ilumine sempre essa minha busca, porque de uma coisa eu tenho certeza: sairei desta vida bem melhor do que entrei.

Jean Charlles

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lançamento do CD Musiluz



Já está disponível o novo CD de Jean Charlles, Musiluz. A partir de 1º de julho de 2011. Confira!









sexta-feira, 20 de maio de 2011

Do nada sai uma pérola






Você já reparou que existem piadas que parecem vida real? Pois eu vou dedicar este texto a contar a vida real que parece piada. São coisas que vejo por aí no meu trabalho, na minha família e amigos e conto pra todo mundo quando quero rir muito. E cada vez que conto uma, tem sempre alguém que também tem sua própria experiência. Então, se você tiver também uma pérola de algum familiar ou amigo, fique a vontade pra dividir com a gente.

Bom, vou começar com uma de uma garotinha que eu amo muito de oito anos. Foram viajar ela, a mãe e a irmã de seis anos, era a primeira vez que iam de avião e ela estava com medo. Ao chegar ao balcão para fazer o check-in a moça da Cia aérea disse à mãe: “-Segundo a sua passagem, vocês vão na asa, quer trocar?” Sem hesitar a menina gritou: “- Quer sim moça, eu quero ir DENTRO do avião.”

Teve uma outra da secretária de uma tia. Ela contando um pouco da sua vida pra gente soltou essa: ” - Quando meu pai era vivo, eu até que era feliz, mas depois que ele morreu, eu fiquei tão ‘depravada’.” Deprimida, se não fosse cômico.

Outro dia na TV, num programa chamado Manhã Maior, uma mulher dando entrevista, disse que depois que ela fez um curso de sensualidade, o seu “álibi” tinha aumentado bastante. Será que foi a libido dela que aumentou?

Tem umas de banco. O cara liga pra Caixa Econômica e busca informações sobre o seu “Fâguets". A atendente faz perguntas e procura saber o que é “fâguets”, e quase dez minutos depois, no final da conversa que ela descobre, através de um extrato que ele cita, que o cliente estava se referindo ao FGTS.

Outra de banco é de uma cliente que chega ao guichê de caixa pra fazer a senha do Bankfone e diz bem alto para o operador: “– Por favor, queria fazer minha senha do “bigfone”.

Ahhhh, tem outra que tenho que contar. Uma senhora chega ao caixa e diz para o operador: “- Por favor, dá uma olhada na minha poupança que eu quero ver se eu saco.” Claro, essa aqui exige um pouco de malícia.

Só mais uma. Uma amiga minha, caixa, disse para a cliente: “- Pode digitar sua Joana, dona senha.”

Outro dia uma pessoa bem próxima, num descuido disse pra gente: “- A vizinha aqui descobriu que está com um “módulo” nos seios. Não seria nódulo?

Um adolescente chegado, quando tinha uns 4 anos de idade, aprendendo a ler, estava no supermercado lendo os produtos. Ele parou na sessão de sucos e começou: “ – Xis-tê-a-pê-a, Tam-pi-co.” Ele leu Tampico na embalagem do X-tapa apenas porque as garrafas são iguais.

Quando morava em Salvador, o sujeito ligava pra família todo domingo e conversava bastante. Numa dessas vezes, ficou com a irmã um tempão, e já era tarde da noite, então ela disse: “- Eu vou desligar aqui que meu pai já tá ‘ejaculando’ pra mim”. Depois que quase morreu de rir e ela sem entender, explicou que a palavra certa era “gesticulando”.

Teve um cara que disse pra esposa que queria comprar uma cama “comungada”. Mas só existem as conjugadas.

Mesmo quando a vida não dá muitos motivos pra rir, a gente ri assim mesmo. É rindo de si mesmo, principalmente, que tudo se torna mais leve. Graças a Deus faço isso com maestria e naturalidade. Tem algumas pérolas aí que são minhas, mas claro que não digo quais são. As pessoas à minha volta sempre estão soltando umas, e claro, pode passar despercebido para uns, mas para mim, não. Eu sempre pego e entrego pra elas mesmas se divertirem. Claro, sempre com muito respeito.

Rir é sempre um ótimo remédio para os males da alma.


Jean Charlles


terça-feira, 10 de maio de 2011

Anos 80, naftalina e nostalgia




Dia desses, num domingo, sai de um belo churrasco e fui pra casa descansar um pouco. Deitei no sofá, como há tempos não fazia, e pra me dar mais sono, liguei a TV. Dando uma zapeada, me deparei com uma reprise do Programa Cassino do Chacrinha. Parece que o tempo me levou há alguns anos atrás e senti uma nostalgia prazerosa.



Se você, como eu, viveu intensamente o final dos anos 70 e toda a década de 80, deve ter boas coisas pra lembrar. No programa do Chacrinha estavam presentes alguns artistas de sucesso daquela época. O grupo Ego Trip, com sua “Viagem ao fundo do ego”, me fez relembrar o tanto que eu gostava dessa música, cantei cada palavra como se não tivesse passado tanto tempo. A cantora Rosana, na época que seu rosto era natural e lindo, uma bermuda que fechava o cinto embaixo dos seios e uma blusa com a manga cheia de babados e fru-frus. E o Luiz Caldas? Gente! Que roupa era aquela? Uma camisetinha florida, uma calça vermelha segurada com uns seis cintos e os pés descalços com um monte de retalhos amarrados nas pernas. Comecei a rir muito. Até porque eu gostava de Luiz Caldas além de Banda Mel e Banda Reflexus (rsrs).



Aliás, esse ecletismo não é comum. Porque além disso gostava de todo o rock nacional como Legião, Paralamas, Plebe, Biquini, RPM, Capital. O que tem a ver Luiz Caldas no meio disso tudo? E aqueles cabelos todos compridos atrás e repicados na frente, tanto em homens como mulheres. Aquele monte de mullets(nem sei se é assim que se escreve), aquelas calças lá em cima.



Me lembrei de quando era criança e usava um tênis chamado Kichute, que era preto, com cravos como de chuteiras, e eu usava com meias brancas até quase os joelhos, pra ir para a escola. Mas também tinha uma Conga, que era outro tênis que todos tinham.



Lembrei dos Mini chicletes que eram quadradinhos e coloridos; do arrozinho que vinha com um anel no final; os doces de coração de batata e abóbora; o tênis bacana e para rico que chamava Montreal e tinha um bordão “porque você é jovem”; do meu Atari; da boneca Bate palminha da minha irmã; do super-herói Spectreman; da turma do balão Mágico; Os Menudos; a novela Roque Santeiro que era assistida por 100% das TVs segundo o IBOPE, até porque não existiam outras emissoras; os sucessos da dupla de compositores Michael Sullivan e Paulo Massadas que monopolizavam as FMs e as músicas gravadas com baterias eletrônicas que a gente ouvia em casa em nossa vitrola com disco de vinil.




Lembrei também que a gente, com menos de cinco anos de idade, andava solto nos carros, sem cinto de segurança, cadeirinhas ou trava nas portas. Andávamos nos porta-malas com a cabeça pra fora e com o motorista bebendo.
Só existiam umas seis qualidades de carros: fusca, brasília, variante, corcel, Kombi e Fiat 147. E raras vezes víamos um Del Rey, um Alfa Romeo ou uma Veraneio. Os carros e ônibus soltavam uma fumaça preta que pareciam trens movidos a vapor.



A gente tomava os refrigerantes Crush, Grapete e Baré Tutti-frutti e mascava Ploc Gigante de uva e laranja. Tinha o chocolate Surpresa, que era bom demais e ainda vinha com uma foto de animais.



Quando a gente ia fazer um trabalho da escola, pesquisava em uma enciclopédia ou ia até uma biblioteca, fazia um resumo da matéria copiando manualmente num rascunho , passava para papel pautado ou escrevia na máquina de escrever, que tinha tinta preta e vermelha e quando ficava velha a letra saía metade preta, metade vermelha. Tinha também o mimeógrafo, que era uma “Xerox” a base de papel carbono e álcool.



A gente não tinha celular. Quando saía de casa, a mãe só tinha notícia quando voltava. O telefone doméstico também era algo de luxo. A gente ligava pra um vizinho e mandava chamar. O Jornal Nacional era a nossa única porta para o mundo, e a novela das oito começava às oito e vinte, depois do jornal.



Fui navegando no universo das minhas lembranças e passei pelos semblantes de grandes amigos que passaram e deixaram saudades. Do tempo que morávamos todos juntos, meus pais e irmãos, e, apesar dos percalços, éramos felizes.



Hoje em dia tudo está mudado, muita coisa pra melhor, talvez tudo, mas as lembranças são muito boas. Principalmente quando a gente era criança, e vivia a vida numa brincadeira, até o sério era lúdico. Onde a gente sentia que o mundo era nosso e podíamos tudo.



Quando se lembra do passado é que vemos o tanto que é valioso cada minuto de nossas vidas. Cada dia, cada pessoa, cada situação. Isso faz a gente prestar mais atenção ao que acontece à nossa volta para que curtamos de maneira intensa, para que junto das nossas lembranças nunca haja remorsos por não ter passado bem por cada momento vivido.



Viva bem essa década. Ela um dia será lembrada com nostalgia. Ao revirar suas gavetas, só restará lembranças com um leve cheiro de naftalina. As pessoas que passaram, as que ficaram, o riso que você causou, a vida que construiu. Um cadinho do seu ser está sendo construído no momento que você lê este texto. Esse minuto é único, nunca mais voltará em toda a eternidade. Nem as pessoas, nem as risadas, nem o seu corpo.



Aproveite e tenha sempre boas lembranças. Que a sua história seja contada com orgulho e alegria, na certeza de uma vida bem vivida.





Jean Charlles

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tradições inquestionáveis

Lembra-se do Bob da Família Dinossauros? Era o filho adolescente que sempre questionava as tradições. Em um episódio, “O dia do arremesso”, aonde os idosos, quando chegavam a certa idade, eram arremessados de um penhasco para morrer, Bob, o único que pensava sobre as coisas, questionou essa tradição e conseguiu salvar a sua vovó.



Em nossa sociedade temos muitas tradições, quase todas de origem religiosa, e elas são inquestionáveis. Digo isso, pois outro dia estava sinceramente querendo saber sobre esse período de páscoa, quaresma, domingo de ramos. Queria saber o porquê das coisas. Porque se fazia jejum, porque não se comia carne na sexta-feira santa, etc. Ninguém soube me responder.



Perguntei a várias pessoas, com credos diferentes, não obtive respostas. E senti que essas pessoas me olhavam com hostilidade como se eu fosse um herege em “questionar essas coisas”.
Claro, depois fui pesquisar na net e vi algumas razões para essas práticas. Tudo no campo da subjetividade, do significado. Tal roupa, tal pano na mesa de tal cor que representa isso e aquilo, tal ritual que representa tal busca espiritual. Mas a grande maioria não entende. É como a música dos Paralamas do sucesso “A arte de viver da fé, só não se sabe fé em quê”.


Daí comecei a pensar sobre isso. Eles dizem que essas tradições são cristãs. Mas sou cristão e não me adéquo a esses tipos de ritos. Porque a minha cristandade parte da minha leitura e do meu estudo das palavras do mestre, e não de coisas que ouvi dizer ou fazer. São coisas pensadas, experimentadas e com resultados objetivos. Claro, com muita imperfeição ainda, mas já tive algumas boas colheitas plantando nesse terreno infinito de ensinamentos.


Eu tenho quase absoluta certeza de que Jesus, se estivesse encarnado entre nós, não se adequaria também a esses costumes. Por que eu digo isso? Porque as histórias contadas sobre ele nos evangelhos, mostra que ele ia contra todas as fórmulas religiosas, sendo muitas vezes considerado diabólico e herege. O questionavam com coisas do tipo: “Como vai jantar em casa de pessoas de má vida?”,”Vai curar em dia de sábado?”, “Não vai lavar as mãos antes de comer?”... E ele respondia com grandes ensinamentos: “Os sãos não precisam de médicos”, “Meu pai que está no céu trabalha até hoje, porque não vou trabalhar?”, “O que importa é o que sai pela boca e não o que entra”. E com palavras e ações, principalmente, nos deu grandes exemplos de amor, fraternidade e verdadeira alegria.


Hoje ele diria a mesma coisa ao ser questionado sobre comer carne na sexta-feira santa dizendo: “O que importa é o que sai pela boca...” E talvez condenasse esse culto mórbido sobre sua morte. Talvez quisesse ser lembrado como o Cristo vivo, e que sua “via crucis” fosse lembrada como um ato de extremo sacrifício em nosso favor, mas que sua imagem tétrica e ensanguentada fosse esquecida e só lembrada a sua fisionomia doce e amorosa.



E a malhação de Judas? Tem algo mais contrário aos ensinamentos de perdão deixados pelo Cristo?


Não estou aqui de forma alguma querendo difamar a crença de ninguém. Como digo sempre, as religiões são importantes e cada pessoa congrega com a que melhor lhe comunica. Todas são especiais em suas características. Só estou expondo um ponto de vista que não vejo ninguém olhando por ele, e as tradições vão sendo passadas de pai pra filho sem entendimento, apenas por repetição cega.


Talvez se absorveria das religiões muito mais benesses, se houvesse a consciência das coisas. Pois, muitas vezes, essas práticas trazem desconforto entre os que comungam e os que não comungam. Daí o amor, tão pregado pelo Cristo, fica a desejar em detrimento de ações exteriores.


Jesus é amor, compreensão, liberdade, inteligência e verdadeira alegria. Seus seguidores têm condições de trazer no coração uma vida mais especial que a dos outros, justamente pela verdade que prega. Ele nos ensinou o caminho da felicidade através das coisas da alma, que não perecem e não ficam obsoletas. Nos falou que a felicidade não está nas coisas fugazes desse mundo, mas na visão mais ampla da vida. Nos mostrou as coisas que são realmente importantes e condenou gestos de puro orgulho e ostentação. Jesus nos deixou um receituário de bem viver, mas na grande maioria das vezes não temos olhos de ver nem ouvidos de ouvir e ficamos imersos no lamaçal da ignorância com um tesouro embaixo do braço. Como costumo dizer, morremos de sede mergulhados em água potável.



Que Ele tenha misericórdia de nós e sempre nos diga, com suaves palavras em nossa consciência, qual o melhor caminho a percorrer. Que nossos corações estejam abertos e Sua luz nos sirva de guia e não ofusque nossos olhos tão acostumados com as trevas.


Que Deus te ilumine e que as palavras do mestre encontrem um terreno fértil em seu coração.

Jean Charlles

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O propósito da vida


Todos nós temos um propósito na vida.


Você tem um talento singular, ou mais de um, e uma forma única de expressá-lo.

Geralmente nós sentimos qual é esse nosso talento, mas o sufocamos por não achar conveniente expô-lo. Por não dar dinheiro, não ser grandioso ou não ser comum no meio que vivemos.

Mas se, por acaso, você ainda não sabe qual é o seu, precisa descobrir.

E não é tão difícil.

A primeira pergunta que você deve se fazer é a seguinte: Quando o dinheiro não é problema e eu tenho todo o tempo do mundo, o que faria? Quando você está fazendo essa coisa, entra em estado de graça, não vê o tempo passar. Talvez a brincadeira que você mais gostava quando criança pode dar uma dica.

Se a resposta for o que está fazendo agora, você já vive seu propósito.

Outra coisa importante, e que dá plenitude ao seu propósito da vida, é que é algo que deve servir à humanidade. Quando você estiver fazendo essa coisa e servindo à humanidade com ela, você experimentará um delicioso estado de consciência.

Quando não vivemos nosso propósito de vida, sentimos um vazio impreenchível, uma impressão de falta, um estado crônico de depressão. Deitamos para dormir sem aquela feliz sensação de dever cumprido.

Descubra-se, busque o seu interior, a sua alma. Isso pode ser conseguido com práticas espirituais.

Descubra esse algo que lhe dá um prazer superior.

Descubra como pode, com esse talento único, servir às pessoas. Pergunte-se: como posso ajudar com isso?

Quando você descobrir essas três coisinhas, experimentará uma alegria e abundância ilimitadas.


Experimente!


Jean Charlles

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fábricas de delinquentes

Ao me ver falar de fábrica de delinquentes até imagino o que lhe vem à cabeça. Uma penitenciária, uma gangue, uma favela. Mas não. Quando se faz parte de uma gangue, já se é delinquente; na penitenciária, se praticou delinquência; e numa favela, a esmagadora maioria são pessoas de bem.

Você pode até não concordar comigo, mas, para mim, as grandes fábricas de delinquentes são aquelas instituições que deviam cuidar da boa formação das pessoas: a família, a escola e a religião.

Dia 7 de abril de 2011, 8 horas da manhã. O jovem de classe baixa Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, invade a Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, com duas armas de fogo matando mais de uma dezena de alunos, ferindo mais outra dezena e atirando contra a própria cabeça com a chegada da polícia.

Dia 20 de abril de 1997. Cinco jovens de classe média de Brasília ateiam fogo ao índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, de 45 anos, que dormia numa parada de ônibus após ter participado de uma manifestação por ocasião do Dia do Índio, morrendo logo depois.

Dia 31 de outubro de 2002. A jovem de classe alta Suzane Von Richthofen, juntamente com dois comparsas, premedita e executa o assassinato dos próprios pais enquanto dormiam.

Chocante, não é?

Coloquei esses três fatos para demonstrar que o delinquente está em todas as classes sociais e que as instituições que citei lá no segundo parágrafo erram em todas as camadas da sociedade. Pode ser de família abastarda ou menos favorecida, estudarem em escolas públicas ou privadas, terem ou não formação religiosa.

Presenciei alguns fatos que engrandecem o que estou dizendo.

O primeiro aconteceu em uma família carente de uma invasão que conheci através de um trabalho de voluntariado que participei. Uma mãe de três filhos, dos quais os mais novos estavam em casa enquanto o mais velho, de apenas 12 anos, já havia três dias que não aparecia em casa. Ao questionar a mãe, ela disse não saber do paradeiro e ainda dizia que era normal, que ele saía sempre, não sabia com quem, mas que não “tava nem aí” pra ele, “tinha mais com que se preocupar”. Hoje o menino tem 16 anos e encontra-se preso num centro de detenção para menores.

O segundo aconteceu numa escola de classe alta, de mensalidade exorbitante. Uma menina, de apenas cinco anos de idade estava brincando com as amiguinhas de boneca dizendo assim: “- a babá vem já neném. Chama a babá da sua amiguinha.” Na brincadeira, elas não são mães dos bebezinhos, são babás.Como na vida real. Então a mãe chega às 18h para pegá-la e ela começa a correr pela sala porque quer brincar mais. Depois de algumas tentativas, a mãe para impaciente e diz: - “Fulana, se você vier agora, a mamãe vai te dar banho hoje.” Ela largou a boneca e foi correndo com uma alegria imensa.

Tanto um como outro caso me chocaram.

As crianças pedem socorro silenciosamente em casa em busca de carinho, atenção, limites, não encontram. Na escola também não encontram e ainda sofrem bullying (ver artigo sobre o assunto no índice) e negligência por parte de professores e diretores. Quando mais jovens e sem saídas para tanta angústia, buscam a religião, que tantas vezes acabam transformando-os em radicais fanáticos, preconceituosos e alienados.


O que precisa ser entendido é que, quando uma pessoa vem ao mundo, a personalidade dela precisa ser formada, cuidada, aparada. Os vícios morais e tendências negativas precisam ser ponderadas, trabalhadas, podadas. A família precisa se estruturar e dar estrutura a esse ser que precisa de base afetiva e educacional. Deve ter limites definidos, horários, regramento. Precisa ser cuidadosamente construído.

Saber com quem os filhos saem, o que fazem, o que acessam na internet; porque é tímido demais, porque se isola, porque é agressivo, chorão, sensível, insensível, quais são seus valores e aspirações. Seu filho é responsabilidade sua. A obrigação de entregar à sociedade um indivíduo de bom caráter é sua, primeiramente. Pode ser que depois de todos os cuidados, seu filho até venha a ser um delinquente, mas é uma "fatalidade" com possibilidades infinitamente menores.

Já vimos que podemos transformar verdadeiros monstrinhos em crianças de verdade, como nos mostram esses programas de supernanny por aí.

Depois, a escola precisa ensinar valores éticos e não apenas fórmulas científicas. Precisa integrar e trabalhar espaços, limites e respeito. Precisa formar cidadãos e não apenas bacharéis.

A religião também tem um papel importante na sociedade. Boa ou ruim, ela tem tirado muitas pessoas de vidas infelizes e desregradas e feito cidadãos de bem. Mas quando não consegue fazer o seu papel de melhorar as pessoas, criam verdadeiros monstros que fazem atrocidades em nome de Deus.

Não é comum eu escrever esse tipo de texto. Ele é denso, baixo astral e talvez polêmico. Não gosto de trazer esse tipo de energia, mas achei importante falar sobre isso. Porque existe algo de que não podemos fugir. Da Lei de causa e efeito. Tudo que a gente faz com a nossa vida e com a vida do outro, que está sob nossa responsabilidade, teremos consequências. E as pessoas não estão preocupadas com isso. Se omitem achando que, mais tarde, poderão engabelar o curso natural da vida.

Desculpe a opacidade desse texto. Talvez tire logo. Talvez não. Quero acreditar que as pessoas não se fingem de cegas diante de coisas tão relevantes para suas próprias vidas.


Quero acreditar que o mundo é bem melhor do que vejo.


Quero terminar com a famosa frase de Pitágoras: “Educai as crianças e não será necessário punir os homens.”


E um texto, de autoria controversa, ensina em doze lições COMO CRIAR UM DELINQUENTE. Segue texto abaixo.


Jean Charlles


Comece na infância a dar ao seu filho tudo que ele quiser. Assim, quando crescer, ele acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que deseje.

Quando ele disser palavrões, ache graça. Isso o fará considerar-se interessante.

Nunca lhe dê qualquer orientação espiritual. Espere até que ele chegue aos 21 anos, e "decida por si mesmo".

Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas. Faça tudo para ele, para que aprenda a jogar sobre os outros toda a responsabilidade.

Discuta com frequência na presença dele. Assim não ficará muito chocado quando o lar se desfizer mais tarde.

Dê-lhe todo o dinheiro que ele quiser. Nunca o deixe ganhar seu próprio dinheiro. Por que ele terá que passar pelas mesmas dificuldades que você passou?

Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida e conforto. Negar pode acarretar frustrações prejudiciais.

Tome o partido dele contra vizinhos, professores, amigos. ( Afinal todos tem má vontade para com seu filhinho.)

Quando ele se meter em alguma encrenca séria, dê essa desculpa: "Nunca consegui dominá-lo."

Em ocasiões onde ele estiver reunido com amiguinhos ou com seus irmãos use e abuse das comparações que incitem disputa. Compare seu caráter, sua capacidade intelectual, e seus dotes estéticos; diga em alto e bom tom para que todos possam ouvir, ele inclusive, coisas do tipo: "Meu filho é mais inteligente que os outros, é mais bonito, é mais esperto, é um gênio."

Se tiver algum vício, demonstre-o em sua presença todos os dias. Assim ele vai achar tudo isto natural, e com certeza, mais tarde, vai ouvir suas repreensões sobre os males que estas imperfeições podem trazer.


Quando ele fizer algo errado, ameace-o, faça uma cara triste para simular que você ficou chateada. Dessa forma, ele aprenderá como obter o que deseja valendo-se de chantagem emocional.


E prepare-se para um destino de decepções.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Até quando?




Até quando eu vou ficar de olhos fechados
Ou fingir não notar o que acontece ao meu redor?
Até quando vou pensar que eu não tenho nada a ver
Com o que acontece no mundo e nada posso fazer?

Há crianças nos sinais
Há escravos nos campos
Há pessoas que choram
Precisando de alguém

Até quando eu vou deixar minha vida passar
Sem estender a mão pensando em meu bem-estar?
O pouco que eu fizer aqui acalma o muito acolá
A paz não vem do além, é preciso por ela lutar

Há muito o que fazer
Há tanto por fazer
Coisas que posso fazer
O que eu vou fazer?

Jean Charlles

sábado, 2 de abril de 2011

A dinâmica do vícios

Andei pensando sobre os vícios. Todos.

Percebi que os vícios são coisas bem sem sentido. Vamos começar pelos vícios mais comuns. A bebida e o cigarro.


O Fulaninho acende um cigarro, o primeiro da sua vida. Ele tosse, sente ânsia de vômito. O corpo recusa, repele aquilo. Mas ele insiste, e com o tempo, o corpo e a mente passam a pedir aquela substância dispensável.


A Sicraninha abre a sua primeira cerveja. Ele toma e acha o gosto amargo e a sensação do álcool desagradável. Mas todas as suas amigas bebem e dizem pra ela que a vida é ótima depois de uma cerva. Ela acredita, insiste, insiste mais alguns meses e, de repente, ela tá gostando, achando bom demais.


O Beltraninho vê seus amigos tomarem whisky, vodka ou qualquer outra bebida destilada. Ele se sente fora da turma. Pega seu copo e pede uma dose. Toma já sabendo que não vai gostar apenas por sentir o cheiro da bebida. Toma. Acha a pior coisa do mundo. Sua língua adormece e seu esôfago queima. Ele odeia, mas finge gostar. Quando os amigos não estão por perto, ele toma dentro de casa, a bebida dos seus pais, para se acostumar e beber com mais segurança na próxima balada.


Bom, alguns meses depois, nossos personagens estão viciados. A partir daí, tudo é motivo para beber: alegria, tristeza ou neutralidade. Ainda não sabem que é um problema que vão levar para a vida toda. Com algumas poucas exceções, alguém não vai se viciar.


É por isso que é sempre perigoso experimentar qualquer tipo de entorpecente, afinal, não conhecemos nossas tendências. A mesma dinâmica acontece com a maconha, cocaína, heroína, crack e todo e qualquer narcótico e suas variáveis. Existe coisa mais sem sentido? Você cria uma necessidade que antes não tinha, passa a ter, e o seu prazer é satisfazer a necessidade criada. O cigarro, por exemplo, cria uma ansiedade e nervosismo que só é tranquilizado após algumas tragadas. Aí a pessoa diz que quando para de fumar, fica nervosa, mas esse nervoso é a dependência física.


Existem aqueles vícios que se originam das nossas necessidades. Por exemplo, precisamos de sexo para o equilíbrio energético, psicológico e afetivo. Mas ninguém precisa fazer sexo dez vezes por dia com cinco pessoas diferentes. A dinâmica do vício aqui é tentar tapar uma carência qualquer com a eternização do prazer sexual. Ilusão. É um saco sem fundo. Neste caso, o sexo perde totalmente sua característica de equilíbrio e torna-se, ao contrário, uma tortura.


E nessa linha podemos citar os vícios de falar mal dos outros, de criar confusões ao nosso redor, de guardar coisas velhas e sem serventia. O vício de pensar negativamente, de comprar, de juntar bens materiais, de vitimizar-se, de fazer chantagem emocional ou manipular as pessoas. O vício de comer, dormir ou ver TV.


O vício é comum entre as pessoas, mas não é normal. O vício, seja qual for, é a principal causa de infelicidade do ser humano. Mortes prematuras, suicídios, doenças, loucura, perdas materiais e afetivas.


Os vícios permeam no campo mental e nas ligações químicas do nosso corpo. Nos explica Joseph Dispenza - quiroprático e doutor em química pela universidade Rutgers de New Brunswick em New Jersey - que as células do viciado se acostumam ao bombardeio cotidiano de certos comportamentos, fazendo com que, ao se dividirem, produzam células irmãs ou filhas, e, nessas novas células, vão haver mais receptores para esses peptídios neurais e menos receptores para as funções naturais da célula como descartar toxinas ou absorver vitaminas.


O vício em qualquer comportamento cria redes neurais e torna-se confortável viver daquela maneira. Pois a mudança exige que haja a criação de outras conexões e isso causa um grande desconforto, uma abstinência química, nos levando a um momento de caos. Passando esse momento crítico, somos apresentados ao verdadeiro conforto e felicidade e nos tornamos senhores de nós mesmos. Mas muitos desistem nesse momento de caos, pois é muito dolorido ver seus antigos conceitos se desmoronando e seus modelos quebrados, é muito sofrido o momento em que o cérebro está se religando, se reconectando e nos transformando.


Você já parou pra pensar por que você tem vícios? Você não tem nada melhor para se apegar talvez porque ninguém tenha te ensinado a ter nada melhor. Daí você se vicia em ilusões com o intuito de não encarar a realidade. Mas isso, mais cedo ou mais tarde terá que acontecer. Se você passar a vida escravizado pelos vícios, poderá até ter uma vida morna, saindo dessa vida sem saber o que é crescimento, evolução e felicidade.


Se você acredita em vida espiritual, que nós sobrevivemos à morte, leia este parágrafo, se não, pule para o próximo. Na verdade, o que realmente importa, é o presente, o que faremos com o que vivemos agora. (Torna-se extremamente necessário se libertar dos vícios. Pois, após a morte, na região espiritual ou metafísica, estaremos sem o corpo, mas com nossos vícios enraizados. O grande problema é que lá não tem comidas pesadas, gordurosas e condimentadas, não tem drogas, não tem bebida alcoólica ou cigarros. Tudo isso é parte das criações terrenas e não passíveis de exportação. Daí, para que se possa levar qualquer vício adiante, será necessário que "vampirizemos" "encarnados" viciados, tomando assim, um pouco daquela sensação. Por exemplo, ficar "abraçado" a um bêbado num bar para sentir bem de leve aquelas sensações viciosas.)


A glamourização dos vícios tem levado muita gente ao sofrimento. As propagandas estimulam, os pais negligenciam, o imediato da vida material reforça. Falo sobre vícios por experiência. Me livrei de vícios que nunca imaginei ser capaz e estou ainda em processo de libertação de alguns outros. Posso dizer, depois de tudo, que até que não é tão difícil, apesar de sentir em determinados momentos, que era impossível. Quando se quer realmente, a libertação dos vícios é relativamente fácil. O problema é que tão poucas pessoas querem realmente mudar e se aprazem nos vícios.


Faça valer a sua vida. Seja senhor de si e não seja escravo de nada. Você foi criado para a liberdade. O equilíbrio com as verdadeiras necessidades nos torna leves e harmônicos.


Seja feliz e se apegue realmente ao que faz sentido e é realmente bom e prazeroso. Não se entregue às ilusões do mundo. Seja livre! I want to break free, I want to breaaaak freee...


Jean Charlles

sexta-feira, 25 de março de 2011


Ateísmo. Contrário de teísmo, que é a crença que existe pelo menos um deus.



Estava lendo sobre isso, vendo opiniões, textos, reflexões, demandas e concórdias. Pensando um pouco sobre tudo o que li e o que ouvi minha vida inteira sobre ser ateu, cheguei à conclusão de que o ateísmo não existe.


“Sou ateu, não acredito em nada”.
Isso não existe!


Todos nós temos inerentemente a certeza de algo superior que preparou tudo antes de existirmos. Antes de termos consciência da nossa existência, tudo à nossa volta foi “pensado” e materializado para que fosse possível nossa vida.


Se há algo superior a todos nós, capaz de criar leis perfeitas que regem os átomos e as galáxias, esse algo é considerado Deus.


Eu falo Deus porque é o vocabulário que uso, mas isso realmente não importa. Pode ser Força Superior, Natureza, Luz, Criador, Universo, Divina Providência, Infinito ou qualquer outro nome existente ou inventado. O que importa é que existe a razão de tudo o que existe.


Agora, existem os que se dizem ateus por não acreditarem em Cristo, na Bíblia, na religião e no deus vulgar criado pelas crendices religiosas populares. Isso é normal, até porque nesse deus estranho pregado pelos religiosos mais tradicionais eu também não acredito. Então, eu também sou ateu.
Graças a Deus!


Graças a Deus eu tenho o raciocínio capaz de pensar o que quiser. Até o impossível, se possível.


Frasezinha fácil de dizer, mas que no fundo esconde um significado mais profundo. Uma revolta ou não aceitação, falta de entendimento das leis universais, incompreensão, solidão, medo do desconhecido ou ingenuidade. Então dizer Sou ateu dá certa sensação de alívio e liberdade de viver sem se responsabilizar por nada que acontece ao seu redor e em sua própria vida.


Ser ateu é uma fuga. Assim como o fanatismo religioso. São extremos do mesmo vazio existencial.


Você pode não acreditar em nada que lhe disseram até hoje ou no formato que lhe ensinaram os padrões, mas você sabe que existe algo muito maior do que você que dá sentido a tudo. É uma força interna que grita por mais que você queira tapar os ouvidos.


É isso aí. Que está bem aí dentro. Esse sentimentozinho que você tenta encobrir com berros de sou ateu. Isso aí é exatamente o que você diz não acreditar. Mas, bem no fundo, você sabe que acredita. Só você sabe.


Ainda não está convencido? Então pare e repare bem como as ondas quebram à beira-mar; como trabalha o seu tímpano, suas células, suas sinapses; no olhar de amor de sua mãe quando te vê; na gestação de uma criança; na sua inteligência; na rotina dos dias e noites; na movimentação das pessoas e dos astros; nas fórmulas matemáticas; nas descobertas científicas; nas experiências com o DNA; no fogo ou nos ventos... Repare os seus sentimentos mais profundos. Vai saber que está tentando se enganar.


Se apesar de tudo isso ainda não se convencer, continue.



São infinitas as provas de que Deus, ou qualquer que seja o nome que queira chamar, existe.

Jean Charlles

quarta-feira, 16 de março de 2011

Piadinha estranha...

Só pra descontrair, vou escrever uma besteirinha aqui.

Certo dia um amigo meu me contou uma piada. Ele terminou, eu pensei por alguns segundos, me acabei de rir.
Saí contando pra outros amigos, como uma novidade. Eles paravam, pensavam por alguns segundos, não riam.
Aí, já desistindo, contei para uma amiga que cantava comigo. Ela parou, pensou por alguns segundos, caiu numa gargalhada sem precedentes.
Hoje, anos depois, ao me lembrar dessa piada, não sei se ela é realmente engraçada ou se é péssima, se eles não entendiam ou se eu que sou bobo demais (kkk).
Se você tiver paciência de me dizer qual é a dessa piada, eu agradeço.
É o seguinte:

Um homem bate na porta de uma casa.
A porta se abre e aparece um homem que diz:
- Pois não.
- Yo soy paraguaio. Yo vim para matarlo.
- Para quê?
- Paraguaio.

"Dia dos vivos"


Observando toda a comoção em relação às mortes coletivas que estão ocorrendo ultimamente, analisei a questão por um outro lado. Como tudo tem seu lado bom, até nisso pude ver.

Então imaginei uma situação:

- Olá meu amigo! Pode entrar, é festa aqui em casa hoje.
- Mas por quê?
- Meu filho.
- Nasceu?
- Não! Morreu.
- E você está comemorando?
- Ele agora é livre.



Parece um absurdo, mas tradições antigas tinham essa prática, enterrar os mortos com alegria.

Se olhássemos pela ótica espiritualista da coisa, isso teria bastante lógica.

Nascer significa prender-se a um corpo e mergulhar em experiências dolorosas, mas necessárias. É viver acontecimentos sem ter noção para que serve e para onde vai tudo isso. É tentar viver feliz e equilibrado em um mundo que nos prova a cada minuto. É viver simpatias, antipatias, afinidades e rejeições.

Morrer é, pelo contrário, se livrar das amarras materiais. É libertar o espírito e ampliar a consciência. É o retorno ao lar depois de uma viagem difícil.

É claro, a saudade de quem se foi sempre traz certa tristeza, mas, quem sabe um dia, quando a humanidade compreender a vida numa esfera mais ampla, espiritual digamos, não teremos mais um dia triste como o dia dos mortos, mas um dia feliz, o dia dos vivos?

Jean Charlles

quinta-feira, 3 de março de 2011

Carnaval, o rei da "agonia"





Bom, estamos chegando mais uma vez na época de carnaval. E, pra variar, andei avaliando o assunto e confesso que não tive uma boa conclusão.
Até que comecei bem. Inicialmente fui avaliando a manifestação cultural do carnaval e vi quanta coisa bonita e brasileiríssima se criou de umas décadas pra cá. Toda a cultura popular misturada numa grande frigideira efervescente, como o frevo, o bumba meu boi, os artistas regionais, a música popular brasileira, o som afro... Ah, o som afro, minha fraqueza. Quando o bloco negro Ilê aiyê da Bahia rufa seus tambores, meu corpo todo se estremece, “as pernas desobedecem, inconscientemente a gente dança, as mãozinhas então embalançam, quando passa eu vou atrás...” Pedindo licença ao Ara Ketu, mas o Ilê aiyê é bom demais.
Fui lembrando do Rio de Janeiro, seu povo alegre para mais um desfile de suas escolas, o som emocionante das baterias, a criatividade aflorada...
Tudo isso é muito bonito, cultural, construído por um povo alegre e artístico como o brasileiro, mas, infelizmente, o carnaval não é isso.
Falo assim porque comecei a me lembrar dos meus tempos de folião, do tempo que cantava em trios elétricos e festas, ou que passei o carnaval em Salvador ou me metia em tudo quanto era multidão à procura de minha felicidade. Mas não vou falar de mim, vou falar do que eu vi, que são coisas, que se você prestar bem atenção, vai ver também, facilmente.
Quando chega essa época, dias bem antes, a... ,bom, vamos chamar de “psicosfera” da Terra, ou o inconsciente coletivo, sei lá, fica diferente. Não vou falar mais nada de bom do carnaval a partir de agora, vou falar do que realmente significa o carnaval.
Um clima de maldade e má intenção fica no ar. Se você for a um show de qualquer artista de carnaval em algum lugar fora do carnaval e das micaretas você vai ver um belo show e pessoas se divertindo. Mas quando é carnaval, em fevereiro ou nos chamados fora de época, você corre perigo.
O carnaval começou na Grécia, sobreviveu na Idade Média e vem se arrastando bem ruim das pernas até os dias atuais. “Bacanália” ou “Saturnália” , denominações antigas ou “carnaval” ou CARne Nada VALe, na versão mais moderna, mas com a mesma intenção: “Pelo menos uma vez por ano é lícito enlouquecer”. E isso não é uma figura de linguagem, as pessoas literalmente enlouquecem no carnaval.
Como a permissividade é grande nesses dias de festa, tudo pode. Aquela máscara que você usou o ano inteiro pode ser tirada. Você pode colocar pra fora tudo o que tem de pior em sua personalidade. Aquilo que a gente oprime para viver bem em sociedade desperta e você extravasa suas emoções represadas da forma mais inconsequente possível. Os homens podem se vestir de mulher, as crianças pequenas podem se maquiar e usar saias curtas, podemos sair pelados na rua.
O sujeito que é violento vai pra festa bater nas pessoas, provocar namorados desavisados cantando suas meninas e extravasando com chutes e socos covardes para satisfazer sua perversidade. Aquele que é viciado em orgias, encontra facilmente situações propícias para extravasar e se entregar ao seu desregramento. Homens e mulheres sem dignidade trocando energias fortes e criativas com as mais variadas pessoas, extravasando pelo prazer escravo da sexualidade chula. Aquele que luta contra o vício de drogas ou se droga pouco durante o ano, se entrega totalmente à degradação de suas funções físicas e psíquicas, extravasa. O que é habituado a uma cervejinha no fim de semana extravasa bebendo até que seu corpo se encharque e sucumba. O fumante extravasa inalando em poucos dias fumaça de meses de vício. Os corpos são exibidos das formas mais vulgares. Ninguém reprime nada. Muito pelo contrário, até estimula. Tudo é permitido. As pessoas beijam dezenas de desconhecidos. Não querem parar a loucura, então usam drogas que nunca nem viram para que as sensações mais grosseiras entorpeçam seus corpos sem valor e suas mentes subjugadas. É deplorável.
Você vê na TV um carnaval bonito, cheio de cor e alegria; e até há pessoas felizes por ali, mas na esmagadora maioria das vezes, os blocos estão cheios de pessoas alucinadas, perdidas, infelizes, buscando naquela euforia fugaz, preenchimentos para seus vazios existenciais. E fora dos blocos, depois da cordinha que separa quem pode e quem não pode, a situação é ainda pior. Há criaturas voltadas ao mal, mulheres pervertidas e doentes, drogados sem noção de si.
Eu vi tudo isso. Repare e veja também.
Eu vi numa dessas festas uma mulher drogada, de pé, encostada em uma barraca de praia, com a roupa rasgada, a perna levantada, e uma fila de homens fora de si, que a penetravam sem escrúpulos, sem preservativos, sem dignidade. Vi grupos de rapazes matando à pancadas outro jovem que estava ali com boas intenções, só pra ver a festa. Vi roubos, vandalismo, tiros certeiros. Essas coisas não são divulgadas, mas procure saber. Verá as consequências da inconsequência. E elas são muitas. Digo, sem dúvidas, que há muito mais dor que alegria no carnaval. Muito mais.
Mulheres-objeto e garotos-negociáveis são “vítimas” de hábeis exploradores. Pessoas até responsáveis, portadoras de inquietações próprias do ser humano no estágio em que se encontra, se deixam mergulhar em bacanal inconsequente.
Encontros irresponsáveis, gestações indesejadas, doenças sexualmente transmissíveis, homicídios, violência sexual, abuso de drogas, AIDS, morte.
Tudo isso se origina do materialismo incutido na mente das pessoas por esses mesmos aliciadores que buscam a degradação humana, conquanto que seus bolsos estejam cheios. O materialismo que faz se pensar que a vida na carne é tudo e deve ser “curtida” da maneira mais bárbara e primitiva. O materialismo coloca tudo a perder, pois a vida nada vale, a carne nada vale, só o que importa são os momentos alucinantes e frenéticos.
Como disse Raul Seixas “Do materialismo ao espiritualismo é uma simples questão de esperar esgotarem-se os limites do primeiro”. Mas há pessoas, que ao se esgotarem dos seus limites, ao invés de buscarem sua natureza original, se entregam à morte, seja de que maneira for.
Por falar em espiritualismo, vou falar de algo delicado que é bem capaz de você não acreditar, mas espíritos desencarnados, viciados e perversos, se aproveitam desses momentos para se misturarem à excitação dos sentidos físicos. As mentes dos encarnados, entorpecidas em interesses inferiores, produzem uma esfera pestilenta, alimentando essas entidades perversas, viciadas e dependentes, fazendo as populações física e não física sintonizarem-se em simbiose psíquica. Essas influências fazem morada por longos tempos na aura do folião. Bom, mas esse é um assunto que talvez você não se familiarize e até ache ridículo, então se atenha apenas à parte física que já está com problemas o bastante.
Garanto a você que as pessoas mais felizes que eu conheço e que você conhece não estão “extravasando” em uma festa de carnaval. Elas possuem vida nobre e alegria verdadeira.

Não gosto de falar de certos assuntos, pois não gosto de escrever coisas que deem alguma conotação careta e moralista. Essa não é minha intenção e eu não sou careta nem tão pouco moralista, mas busco mostrar lados do prisma que talvez não estejam sendo vistos.
Somos livres para fazer o que quisermos de nossas vidas, mas parafraseio Paulo de Tarso quando diz que “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém.” E isso é certo. Podemos participar de qualquer atividade da convivência humana, mas nosso respeito e dignidade devem ser preservados.
A minha visão sobre tudo o que existe é que o que é realmente importante para guiar nossas vidas está dentro de nós. Tudo o que precisamos está em nós. A busca deve ser interior. Os “ouros de tolo” da dimensão externa só nos trazem ilusões.
Consciente do seu mundo interior, a visão das coisas de fora será outra. Conheça a verdade e ela te libertará. Conheça-te a ti mesmo e tudo será felicidade. Felicidade verdadeira, que te acompanhará em qualquer momento de sua vida.
Bom carnaval para você.
Que a sua consciência comande a festa da sua vida.


Jean Charlles

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Uma reflexão sobre a honestidade



Basta apenas ligarmos a televisão para que, em alguns minutos, em qualquer telejornal, acompanhemos mais um caso de corrupção. Desvio de verbas, acordos ilícitos, venda de interesses, lavagem de dinheiro, abuso de poder, tráfico de influências, contrabando, improbidades diversas. Um verdadeiro espetáculo de horrores que mostra as várias maneiras de “se dar bem” num país onde o “jeitinho brasileiro” é motivo de orgulho para muitos e a honestidade torna-se cada vez mais uma grande e rara virtude. Mas onde começa isso tudo?

Criamos rodinhas nas filas de bancos, nos ônibus, nas lanchonetes, e nos tornamos verdadeiros juizes. Aplicamos penas, falamos mal e nos revoltamos. Mas e nós, somos realmente honestos?

Corromper-se não diz respeito apenas a casos de favorecimento ilegal de alta escala ou que envolva muito dinheiro; muitas vezes, pequenas vantagens também corrompem os que se dizem acima do bem e do mal.

Por acaso você devolve o troco a mais que o caixa do supermercado passou num momento de distração? Você não leva pra casa e nem usa material público para fins pessoais da repartição em que trabalha? Não compra objetos roubados, piratas ou contrabandeados? Não tira carteira de estudante sem ser estudante? Não passa na frente numa fila porque tem um conhecido? Não compra ingressos mais baratos de cambistas? Não anda pelo acostamento num trânsito engarrafado? Não pega atestado médico sem estar doente para não trabalhar? Não faz gato de luz, água, TV a cabo? Não superfatura uma nota fiscal quando vai ser reembolsado? Não diminui a idade do filho para não pagar entrada, passagem ou hospedagem? Não suborna em ocasião nenhuma? Não registra bens com valor inferior para pagar menos impostos? Não fala pro seu filho: “- Faça isto que eu te dou aquilo”? Você avisa pro garçom que faltou um refrigerante que ele não contabilizou?

Essas e outras atitudes não parecem comuns do cidadão que acha que corrupção só existe na TV.

Temos que estar sempre atentos para que o crime e a injustiça não se estabeleçam em nossa sociedade, mas primeiramente temos que ser fiscais de nós mesmos e lembrarmos da máxima do Cristo: “Hipócritas, tirai primeiramente a trave do vosso olho, e então vereis como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão”.






Jean Charlles

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O que há de "Pior"



Domingo peguei minha esposa e meu cunhado e fomos assistir ao espetáculo Espia só, de Evandro Santo, o Cristian Pior do Programa noturno de domingo Pânico na TV. Baseado nas críticas que li durante a semana, tinha a certeza de diversão certa. Dizia ser o melhor Stand up de 2010. Mas confesso que saí de lá com uma sensação estranha, do tipo de quem morre de rir de um desgraçado qualquer na rua, jogando-o ainda mais na sarjeta que se encontra.


O monólogo não é todo ruim, tem muita coisa divertida do cotidiano de todo mundo que o artista vê de uma maneira mais bem humorada, mas a grande parte consiste em rir da desgraça alheia. Defeitos, gostos, maneira de falar e se vestir, debilidades físicas e classe social.


A brincadeira sobre pobre, ao estilo “Caco Antibes”, tem algo de engraçado até certo ponto. Quando passa, torna-se um humor cítrico, maldoso e ofensivo. O tempo inteiro se falou de estilos de vida de ricos e pobres, suas preferências e hábitos.


O show era interativo, ele chamou ao palco quatro pessoas. Como a maioria era pobre e morava em lugares mais suburbanos de Brasília e entorno, o prato foi cheio para o deboche.


Piadas fortes e pessoais deixaram pessoas constrangidas diante da exposição de Evandro. Ele, com o poder do microfone e dos holofotes verbalizava qualquer coisa que vinha à cabeça sem preocupação nenhuma com os limites.


As quatro pessoas na berlinda e outras tantas apontadas na plateia foram alvo de gargalhadas de todos por causa dos seus carros, suas cidades, seus empregos, seus corpos e roupas.


O que mais me deixou impressionado foi quando ele perguntou se ali alguém gostava de pobres e ninguém teve a coragem de levantar a mão. Será que realmente as pessoas se sentem superiores e não gostam de pobres ou estavam com medo de serem ridicularizadas publicamente? Ele dizia claramente que “a gente”, se referindo a ele e a nós público, era a receita do país, o PIB, e que o pobre não tinha opção.


Contou sobre “a pobre” que vai ao supermercado e só compra arroz, açúcar e sal, sal, sal. Que ela não compra Nescau porque tem que comprar o leite também e não tem dinheiro.
Pra quem não sabe nada sobre isso, que sempre viveu na mordomia de seu mundinho "Manoelcarliano" pode achar graça disso, mas quem já viveu ou faz trabalhos sociais sabe que isso é verdade e NÃO é engraçado. Que pessoas no Brasil morrem de fome enquanto esbanjamos nossas futilidades e rimos da miséria alheia.


Reclamou com um rapaz que estava no fundo do teatro trajando camiseta. Disse que ele não tinha corpo para usar aquilo e perguntou se ele ia fazer um programa sexual depois da peça. Sugeriu maldades “que são divertidas” como colocar pó de mico no OB da empregada para ela “ir no ônibus se coçando”. Chamou de “mostrinho” a filha de Roberto Justos, que apresenta uma deficiência, falou sobre a “fracassada” filha de Carla Perez e Xande, e que a Joelma da banda Calypso não tinha filhos “porque Deus quer poupar o mundo desse tipo de gente”. Tudo isso sob aplausos calorosos.


Meus Deus! O que está havendo? Esse é o tipo de humor do futuro? Onde a graça está na desgraça dos outros? Todos nós temos as nossas dificuldades e sabemos que algumas delas são sofrimentos profundos. Não têm graça nem são motivos de risadas. Não gostamos de tudo que existe, mas temos que respeitar quem não compartilha dos mesmos gostos que os nossos. Levar uma vida leve e rir dos problemas é bem diferente de tudo isso.


Já fui em vários “Stand up Comedy”, como são chamadas esses monólogos humorísticos e me diverti muito. Todos eles foram bem críticos em relação à política, à arte e à mídia de um modo geral, mas de maneira leve. A plateia participava, mas sentia-se bem em fazer parte daquilo. Chamava a atenção à características de pessoas famosas e espectadores arrancando gargalhadas sem denegrir a imagem de ninguém.


Acho que existem muitos artistas talentosíssimos para o humor, algo que não é fácil, inclusive Evandro Santo, o Cristian Pior, mas a graça verdadeira pode estar em coisas bem além da superficialidade e do óbvio das características elementares.


Saí do teatro com sentimentos ruins. Por ter rido das pessoas magras ou gordas, dos pobres, dos deficientes, dos populares, dos homossexuais, dos desgraçados, dos que são traídos, dos que não conseguem ser melhores do que são, das senhoras, dos senhores divorciados, da menina que mora longe, da “caixa desdentada” do supermercado, dos fracassos humanos, das dificuldades particulares, dos defeitos dos outros que se encontram em mim também.


Saí triste do teatro por ter participado dessa linchagem verbal e dessa diversão leviana.


Espero não me arrepender nunca mais de pagar 120,00 reias (Uma entrada inteira e duas meias) em um espetáculo de “hurror”.


Jean Charlles


domingo, 23 de janeiro de 2011

Solidão


Há tempos venho reparando em como a solidão tornou-se companheira de tanta gente. A solidão passou a ser um sentimento que independe das pessoas. Sentimos solidão rodeados de gente. O que será que está acontecendo?

Pessoas vão para baladas sozinhas e voltam sozinhas. Bebidas, danças frenéticas, parceria para beijos e sexo não afugentam a solidão, e muitas vezes, até a reforçam. Nossas casas estão mais confortáveis, nossos carros mais velozes e nossa vida mais vazia. Nossos corpos estão sarados, nossas roupas extravagantes e nosso coração está gelado.

É certo que somos sós, seres independentes. Nascemos sós e morremos sós. Mas isso quer dizer individualidade e não solidão. O sentimento de solidão é o que dói, o que nos faz ficar fracos diante da vida.

Perdemo-nos nas atrações da modernidade e do materialismo e nos esquecemos da diversão, de passar bons momentos com quem amamos, de dizer que ama, de abraçar, de ficar juntinho conversando. Tudo parece que tem que ser sexual, que tem que ser rápido que amanhã já tem outras pessoas. E quanto mais a gente busca se livrar da solidão, mais ela nos persegue. Ela está numa reunião familiar, em meio à multidão, no vazio da nossa cama. Ela está dentro de nós.

Ela nos enlouquece de tal forma, que até quando ela não está, a procuramos. Por que a gente foge de dar amor para alguém que nos pede? Por que a gente não tem coragem de dizer que está apaixonado? Por que a gente acha que nossos pensamentos e opiniões são melhores que a dos outros?

Medo.

O medo traz a solidão. O medo de sofrer, de ser ridículo, de “pagar mico”, de se envolver, de tocar e ser tocado. O medo das ameaças da vida. E, quanto mais a gente foge do sofrimento, mais sofremos.

Ficar sozinho é necessário às vezes, nos refaz, nos centra, nos prepara para um novo momento. Mas essa solidão sentida, sofrida, como uma flecha no peito, é perigosa. Quantas mortes já não trouxe? Quantas doenças e péssimos estágios de sobrevida? Quantas mazelas para o mundo já bem cheio delas?

A solidão consola, a solidão vicia, a solidão mata. Como qualquer outro narcótico. E qual é a solução para a solidão?

O amor.

O único sentimento capaz de nos livrar desse grande mal. O único antídoto para todos os males. O desenvolvimento dele é um hábito.

Com o tempo, amamos naturalmente, e seremos rodeados de pessoas ou, pelo menos, de seus sentimentos de amor.

Jean Charlles

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Fábio de Melo: o padre espírita


Há algum tempo eu venho acompanhando a trajetória do padre Fábio de Melo. Vejo seus programas, palestras e missas. Ele possui muitas qualidades que chamam a atenção: sua retórica, inteligência, discernimento... Porém, a que eu acho mais interessante é a sua capacidade de trazer a essência dos ensinos de Jesus Cristo, mostrando no cotidiano como viver essa mensagem tão grandiosa.

A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, traz postulados importantes que a definem. A imortalidade da alma, a caridade e o que chamamos de “reforma íntima”, dentre outros. Este último é considerado um dos mais importantes. Consiste no aprimoramento pessoal do ser humano, buscando o crescimento espiritual e a verdadeira felicidade. Para tanto, baseia-se na moral do Cristo contida nos Evangelhos. Fábio de Melo é um dos maiores professores de reforma íntima que eu já conheci. Algo que o faz muito especial e o destaca da grande massa de líderes religiosos cristãos.

Com ele – que se mostra humano como qualquer um e não como um ser superior aos demais com falsa ligação direta e exclusiva com o criador – você pode tratar de qualquer assunto pessoal contido na problemática e complexidade humanas, aquilo que se tem de mais difícil de resolver em si mesmo e ouvir conselhos e soluções profundas sem ficar no vazio de frases feitas como “Tenha fé que Deus resolve tudo” ou “Confie em Jesus que ele resolverá” ou “Jesus te ama” ou “Deus tem um plano pra você”. Frases que, apesar de fáceis de dizer e com certo fundamento, em nada ajuda aquele que passa por aflições.

O padre Fábio de Melo traz para a vida prática as verdades universais do Evangelho de Jesus e a pureza de sua mensagem. Mesmo fazendo parte de uma ordem religiosa que tem em suas bases práticas exteriores e ritualísticas tão combatidas pelo Cristo, ele consegue fazer o que o Espiritismo tem como missão moral: Trazer a mensagem ética dos Evangelhos da forma mais pura possível.

Eu realmente acreditava, nos primórdios do meu conhecimento do padre Fábio, que ele era um espírita infiltrado nas entranhas da grande Igreja Católica Apostólica Romana para ensinar aos seus adeptos o verdadeiro sentido de todo o ensinamento de Jesus. A responsabilização de nossas atitudes e a salvação ativa de cada indivíduo através da mudança de suas crenças, pensamentos e ações na interiorização da mensagem cristã.

De uma coisa eu tenho certeza. Tirando os rituais dogmáticos que o padre Fábio defende por fazer parte da religião que congrega, ele poderia fazer suas palestras em qualquer centro ou seminário espírita do mundo sem que alguém pudesse supor que não é espírita.

O Espiritismo traz de volta o cristianismo primitivo e, graças a Deus, temos esse padre, que interfere tão positivamente na vida de seus fiéis seguidores, católicos ou não, de forma tão poética e responsável, atingindo um grande público com muita verdade.

Quem dera se em cada instituição religiosa dita cristã houvesse alguém assim, que trouxesse a cada um a responsabilidade de sua própria salvação, sem ensinar erroneamente a recepção passiva e sem méritos de qualquer conquista espiritual.

Reforma íntima ou mudança interior.
Jesus Cristo de verdade.
Longa vida ao Padre Fábio de Melo.

Jean Charlles



A força da vida (La forza della vita) no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=OvALeXNfC14

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A música e o desenvolvimento interior

A música pode ser percebida desde os primeiros grupos humanos. Através de desenhos em cavernas descobertos por arqueólogos, dá para se ter uma vaga ideia da musicalidade pré-histórica com imagens que sugerem instrumentos de percussão, rústicas notas tiradas de pedaços de paus e ossos e a imitação vocal de sons da natureza.

A música, dentre todas as outras formas artísticas, é a mais visceral expressão do sentimento íntimo. Ela nos toca de forma ímpar, pois tem o poder de abrir nossos corações com suas melodias, harmonias e ritmos para plantar na alma a sua mensagem.

Nos afinamos com cadências e estilos, bem como mensagens e propostas que estão de acordo com nossas crenças e aspirações no momento. Da música clássica mais sublime à mais tribal das manifestações sonoras, passeamos durante nosso processo evolutivo por todos esses caminhos que embalam nossos sonhos e decepções, que nos elevam às esferas mais próximas de Deus ou nos degeneram à menos digna das condições espirituais.

Podemos nos referir a várias épocas do século passado pela música e os movimentos que ela criou. A era do rádio, o blues dos anos 50 americano, a jovem guarda, o tropicalismo, a bossa-nova, a discoteca, os anos 80, dentre muitos outros. Cada maneira de se viver com sua trilha sonora. Cada filosofia ou ideal com sua banda característica, cada atitude, crescimento ou degradação com sua “música ambiente”.

O que gostamos em matéria de música fala muito sobre nós. O que nos empolga ou emociona, que tipo de discurso artístico nos toca ou influencia. E também o que isso causa em nosso íntimo e o que fazemos com essas sensações.

André Luiz nos diz que a arte deve ser o belo criando o bom. A música tem importância fundamental em nosso desenvolvimento espiritual.

Que o compositor possa fazer eclodir em seu ouvinte o que ele tem de melhor. Que a música possa expurgar as emoções ruins, tirar do estado de tristeza, inspirar, despertar e expor nosso sentimento divino. Que essa força imensa e poderosa possa transformar o individuo auxiliando na sua evolução e na cultura de seu bem estar.

Ouça bem! Cuidado com o que anda entrando pelos seus ouvidos e fazendo morada em seus mais caros sentimentos.

Que a bela música seja mais uma ferramenta na construção da integridade humana.

Jean Charlles

sábado, 2 de outubro de 2010

O amor

O amor é sempre a melhor escolha.
É o amor, muitas vezes guiado pela paixão, que nos leva às nossas secundárias escolhas. O apaixonado arranja forças e maneiras de concretizar o objeto de sua paixão.
Não estou falando apenas da paixão no sentido vulgar que leva as pessoas à cegueira sentimental, essa também, em doses normais, colore a vida e nos faz realizar muitas coisas com e para o alvo de nossa paixão. Falo no sentido de força, de vontade, onde a gente se apaixona e traça um objetivo muito difícil de não se alcançado. O poder da realização está sempre aceso por essa força apaixonante.
Se conseguíssemos sempre peneirar o amor puro de todos os outros confusos sentimentos que pululam os nossos corações, tudo seria mais fácil. Nossa vida seria mais tranquila e feliz e nossas escolhas mais lúcidas.
Infelizmente vamos ainda sofrendo por não saber o que é amor, o que é paixão, o que é um interesse qualquer. Sofremos e fazemos sofrer.
Que possamos, ao fazer uma escolha, prestar atenção no que diz o nosso sentimento. Se fizermos uma prece sincera, a resposta virá em nosso coração. Só o amor pode nos guiar por terrenos seguros. Que possamos aprender a amar e amadurecer esse nosso amorzinho ainda tão rústico, tão cheio de ilusões.
E que o amor seja constante em nossas vidas.

Jean Charlles




sábado, 25 de setembro de 2010

Maria Total Flex


Depois de um rápido momento de revolta, vou escrever uma coisa mais leve. Eu posso até dizer que é engraçada, mas na verdade não sei se é. Acho que pode ser mais um equívoco, mas não deixa de ser engraçado.

Pois é. Dia desses, sem querer, estava ouvindo algumas mulheres conversar. Não digo aonde para não expor ninguém. Eu estava ocupado, mas não pude deixar de ouvir. Elas estavam falando dos homens. Falavam animadamente e a disputa de qual era o melhor se deu mais ou menos assim:
“- Nossa! Sicrano é empresário e não é casado...” “- O fulano tem 23 anos e já mora sozinho em seu ap e tem um Honda...” “ Olha, mas o mais partidão é o beltrano, é advogado, ganha uma baba, tem um Audi, aplicações no banco e ainda é bonitinho...,mas é noivo... “ “Porque eu não quero cara pra eu sustentar, quero alguém que me dê boa vida... “
E por aí vai...

Eram mulheres entre 25 e 35 anos, formadas, com emprego e salário razoáveis. Eu parei o que estava fazendo e comecei a observar. Eu não estava acreditando no que ouvia. Nenhuma delas, eram umas seis mulheres, falou que tinha uma atração física, ou que o cara era legal, inteligente, ou qualquer outra coisa desse tipo. Só viam a parte material, o dinheiro mesmo.

Eu já tinha ouvido falar de teorias psicológicas que afirmam que, inconscientemente, as mulheres procuram nos homens o seu sustento e o dos filhos, a segurança financeira. E os homens buscam aquelas mulheres de quadris largos, que possam gerar seus filhos.
Mas aquela conversa me soou meio deprimente. Me pareceu que as coisas materiais que os “pretendentes” tinham eram mais importantes do que o caráter ou até a disposição deles de ficar com elas. Não sei, talvez eu tenha me assustado porque nunca tinha ouvido esses assuntos de mulheres quando elas estavam sós e também elas não sabiam que eu estava ouvindo. E, pensando bem, elas também se assustariam ao ouvir homens conversando... (rs)

Nesse dia, dei graças a Deus por já estar casado. Porque, se não fosse, teria que ter muito mais coisas para impressionar muitas mulheres por aí, porque sei que não são todas assim, graças a Deus. Sou muito feliz com o que tenho e principalmente com o que sou, mas moro num ap no quarto andar e não tem elevador, e meu carro... bom... o meu carro é um Fiat Uno da década passada. Não impressiona ninguém. Quer dizer, quando ele está sujo até que impressiona. Aposto que uma mulher dessas que estava conversando olharia e diria: “Meu Deus, que carro é esse? Além de pobre, sujo pra caramba! Credo! Se for de um homem, Deus me livre de um homem desses...” (rs rs)

Existem muitas uniões baseadas no materialismo. Tanto em matéria de dinheiro como de sexo. Se essas uniões duram, se são felizes, se estão certas... não sei. Na realidade não sei nada sobre isso, mas que essa história de interesses contrários ao amor nas relações existe, isso é uma verdade.

No meu tempo, a gente chamava mulheres assim de “Maria gasolina”. Com o avanço da tecnologia automobilística e da diversidade dos interesses, prefiro chamar hoje em dia de “Maria total flex”. Porque não importa se é movido a gasolina ou a etanol ou a indiferença de sentimentos, o que importa mesmo é que o namorado dela é um carrão.
Jean Charlles

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sintonia

Cara leitora Paty C. Lima.

Venho agora escrever em agradecimento a pessoas como você.

Quando escrevo textos acompanhados de trovões e ventanias de forma nenhuma estou me entregando aos sentimentos expressos na escrita. São apenas desabafos de coisas que vejo e sinto como qualquer outra coisa que analiso.

É bom ouvir coisas boas, que nos fazem pensar de forma tranquila e nos acalenta. Mas, de vez em quando, um baque mais forte e uma sacudida não fazem mal a ninguém, apenas nos forçam a pensar com um pouco mais de dinamismo.

Eu falei dos hipócritas e dos inseguros da própria moral, mas eles são raros em minha vida. Eu digo até que me faltou um pouco de caridade ao me agastar com eles. Uma pessoa que vive a ferir os outros geralmente busca expurgar de si as próprias feridas. Porque só sai da boca o que está cheio o coração.

Quero lembrar aqui das pessoas que eu amo e de muitas outras que me amam, sem nem mesmo me conhecer direito.

As pessoas que eu amo me rodeiam e me fazem muito feliz, pelo simples fato de existirem. Minha família, meus amigos e conhecidos de encontros diários. Não precisam fazer nada por mim, só estarem por perto, mas ainda assim fazem.

Muitas vezes choro por achar que não mereço tanto. Essas pessoas fazem coisas por mim que me deixam muito comovido. Para me ajudar ou simplesmente para me ver feliz. E eu me alegro com coisas feitas com o coração.

Estou falando de maneira geral, mas agradeço pessoalmente a elas quando me fazem algo. Agradeço, abraço, às vezes choro. São muitas demonstrações de amor. Tantas que muitas vezes, por não achar merecedor, fico sem graça, sem jeito. Só faço chorar, até por não saber agradecer à altura.

Eu amo todas elas, e elas sabem.

Mas também existem outras pessoas que me amam sem me conhecer. Se afinam com o que escrevo nas músicas, nos textos ou jornaizinhos. Se identificam com que eu falo ou defendo, com o que digo nos meus shows ou com a maneira que interpreto as músicas. Essas pessoas chegam carinhosamente e já parecem íntimas. Acho engraçado e fico, de novo, comovido.

A jornada humana é algo misterioso e muito complexo. Gosto de estar em sintonia com outras pessoas que pensam como eu ou discordam profundamente. Acho que tanto as conversas consensuais como as dissensões nos fazem crescer, fortalecendo o que sabemos ou nos fazendo rever nossos conceitos.

Quero aqui agradecer a todos vocês. Às pessoas do meu convívio e as pessoas com as quais não convivo, mas que estão em sintonia comigo. Juntos de alguma forma.

Quero ser algo de bom em suas vidas. Quero ao máximo retribuir todo o carinho, dedicação, paciência e alegrias que me são ofertadas. Sou feliz porque vocês existem.

Sempre trabalhei com pessoas e sou feliz por isso. Com todas as suas loucuras, o ser humano é algo fascinante que merece luz.

Quero ser luz na minha vida. E, se conseguir, iluminar as pessoas ao meu redor.

Um grande abraço do fundo do meu coração.

Jean Charlles

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Revolta


Às vezes fico meio revoltado mesmo.


Há muito tempo eu tenho esse temperamento meio revolto, e muitas vezes me pegava envergonhado de sentir o que sentia. Mas, certa vez, uma amiga minha, a Patrícia, que me mostrou muitas coisas interessantes da minha própria personalidade, me fez ter uma visão diferente.



Escreveu ela:


"O que consome e ao mesmo tempo gera a energia da alma. Força constante, determinada e geradora.
Revolta. O nome soa como revolução, rebeldia. Às vezes discórdia, tumulto, angústia, raiva. Mas também pode ser rompimento, novo tempo, mudança, transformação.
Por que não atitude?


De repente uma situação geralmente negativa começa a se repetir, e a partir daí se intensificar, e com isso os sentimentos vão se unindo até eclodir numa grande explosão geradora chamada...


Revolta.


Palavra que traz uma agitação interior, a lembrança do movimento. Ou de tumulto, de pessoas caminhando de forma desordenada, trombando umas nas outras. Ou até quem sabe uma atitude grosseira, repentina, às vezes até inconsequente.


Enfim, o que seria do mundo sem a revolta, sem essa eclosão geradora?

Geradora sim, porque onde há harmonia, correspondência, sintonia, não há situação negativa o suficiente capaz de se intensificar e eclodir numa revolta. Assim, se a existência do homem fosse envolvida apenas por harmonia, não haveria força o suficiente para a geração da revolta, da mudança.


Na verdade o planeta hoje já vive, em parte, sem a revolta. E assim, estagnados diante das dores e das mazelas, pacificamente assistimos a instalação do caos. Preocupamo-nos com as boas maneiras, com a política da boa convivência, nos deixamos dominar por este pacifismo sem eloquência, que na verdade tem gerado mais ódio e dor do que amor e satisfação.


Vamos sendo pacíficos diante da fome sem necessidade, do analfabetismo pela falta de boa vontade, da pobreza por excesso de egoísmo, das guerras, fruto da ganância e do orgulho.

Saiba que não precisamos chamar pela revolta, ela já está se formando com todas as situações negativas que o mundo nos oferece. A revolta já esta à porta. Mas ela ao chegar não irá bater nem pedir licença, irá eclodir. E com isso virá a dor, porque a revolta traz consigo rompimento e isso faz nascer um novo tempo, fruto da mudança que a transformação das emoções negativas fizeram nascer com a energia advinda da revolta.


Texto elaborado em homenagem ao meu amigo e irmão Jean Charlles, que traz no seu peito uma válvula de revolta, capaz de eclodir com o mais singelo estímulo. E não pensem que isto é um mal que ele carrega, antes é a sua maior virtude, porque ainda que cause espanto e tumulto emocional, é um grande gerador de mudanças, o qual não se contrapõe ao bem, mas ao mal, que é gerado pela inércia de atitudes. Conheço bem o Jean, não necessariamente por ele ser transparente, pelo contrário, gosta de ser bem misterioso, faz parte do seu charme. É que eu tenho certo dom de ler as pessoas. Seu jeito temperamental é tão intenso que chega a ser engraçado. Pelo menos eu acho. Pois mesmo quando a farpa cai pro meu lado, não consigo deixar de rir. É do tipo de pessoa que quem o conhece realmente ou o ama, ou o odeia. Eu estou do lado dos que o amam, e amam muito... Embora não conheça ninguém que possa odiar este ser humano fantástico! "






Eu adoro esse texto. Ele, ou ela, transformou o que eu achava ser um grande defeito numa virtude. E analisando profundamente, as coisas ruins só mudam depois de momentos de revolta, até de certa dor. Não fosse isso, nada evoluiria. Todas as importantes mudanças que ocorreram na minha vida aconteceram depois de um momento desses. É o ar puro e o clima de limpeza e harmonia depois da tempestade.

Analisando assim, aprendi a controlar um pouco mais minha impulsividade, mas não anular meus sentimentos. Não destruir as expressões de minha personalidade. Ser eu mesmo.


Que possamos nos revoltar quando algo não tiver bem. Não a revolta no sentido ruim que fere, sofre e destrói, mas o ímpeto da mudança. Que toda a energia negativa seja expurgada de nossos corações, de nossas mentes, de nossas vidas depois de um grito de Basta!


Jean Charlles